Camara Municipal de Jaguariaiva


História


  Jaguariaíva

Jaguariaíva teve sua origem e importância ligadas ao fato de estar localizada em um dos pontos de pouso dos tropeiros que, nas longas travessias do sertão, pernoitavam e descansavam no local em que faziam a travessia do “Rio Tyaguariahiba” (rio Jaguariaíva), conhecido até hoje como “Porto Velho”, marco histórico da fundação da cidade.
O topônimo Jaguariaíva na língua tupi-guarani: jaguar=onça + i = rio + aíva=brava, ruim significa “Rio da onça brava ou rio da onça ruim” ou “Rio do cão bravo”.
Os índios coroados da grande família dos caingangues se referiam a suçuarana como sendo o jaguar, a onça brava – “puma concolor concolor” da família dos Felídeos antes abundantes na região dos Campos Gerais.O felídeo encontrava farta caça de mamíferos, aves e até répteis no seu habitat natural, mas o povoamento, a devastação das florestas, a agropecuária e o reflorestamento, diminuiu o seu espaço de caça e começou a atacar gado nas fazendas concorrendo cada vez mais para a sua extinção.

Campos de Jaguariaíva

Localização

O Estado do Paraná tem 199.281,7 quilômetros quadrados, divididos em 399 municípios. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) separa o estado em dez mesorregiões: Noroeste, Centro-Ocidental, Norte-Central, Norte Pioneiro, Centro-Oriental, Oeste, Sudoeste, Centro-Sul, Sudeste e Metropolitana de Curitiba. A mesorregião Centro-Oriental abrange quatorze municípios da Região dos Campos Gerais e tem como cidade-polo Ponta Grossa . A região é constituída pelos municípios de Ponta Grossa, Palmeira, Carambeí, Castro, Tibagi, Reserva, Imbaú, Telemaco Borba, Ortigueira, Ventania, Piraí do Sul, Jaguariaíva, Arapoti e Sengés, totalizando 21.775 quilômetros quadrados com 622.848 habitantes conforme censo de 2.000.
Os municípios de Jaguariaíva, Sengés e Arapoti estão localizados na região fisiográfica dos Campos Gerais, denominada, Campos de Jaguariaíva. A sede do município de Jaguariaíva está a 49º 42’ 23’’ de longitude Oeste e 24º 14’ 49’’ de latitude Sul. Os municípios que compõem os Campos de Jaguariaíva, histórica e economicamente sempre estiveram atrelados às comunidades da região dos Campos Gerais e de Curitiba com os quais os pioneiros iniciaram os primeiros contatos. A expressão “pertence ao norte pioneiro” que freqüentemente ouvimos ou lemos em algumas publicações de certa forma se contrapõem às nossas raízes e tradições de quase três séculos.
Geologia e Solos
A área do Sertão de Cima caracteriza-se pela decomposição de filitos do grupo Açungui, de filitos, varvitos e loessitos da Formação Palmeira do Grupo Tubarão e Granitos do Pré-cambriano. Associação Podozólico-vermelho-amarelo-álico tb, textura médio/argilosa com cascalho relevo forte ondulado+latossolo Vermelho-amarelo-álico Tb-Câmbico, A proeminente textura argilosa com cascalho fase floresta subtropical perenifólia relevo ondulado.
O Arenito Furnas-Devoniano caracteriza-se pela Formação Furnas do Grupo Campos Gerais e Ponta Grossa do Período Devoniano. A associação Cambissolo-álico Tb, textura média+solos Litolíticos-álicos textura arenosa ambos A proeminentes fase campo subtropical relevo suave ondulado de vertentes curtas substrato Arenitos+solos-orgânicos-álicos fase campo subtropical relevo plano.
A região do Pesqueiro caracteriza-se pela formação de solos provenientes de resíduos intemperizados do Arenito Caiuá da Série São Bento, do Cretáceo. Latossolo-vermelho-escuro-álico A moderado textura média fase cerrado e cerradão subtropical relevo suave ondulado. (Fonte: Projeto Florestas Municipais/PMJ

Clima

O clima do município apresenta uma temperatura média anual de 20ºC, o mês mais quente inferior a 22ºC, o mês mais frio inferior a 18ºC. O mês mais rico em chuva é janeiro, e o mês mais pobre em chuva é agosto, com 12 meses úmidos atingindo, em média, a precipitação anual 1383mm. O Clima da região é úmido e segundo W. Köppen, sua classificação é Cfb, portanto, subtropical úmido, mesotérmico, de verões frescos e com ocorrência de geadas freqüentes, apresentando estações bem definidas e algumas estiagens nos últimos anos. Umidade relativa do ar, 82%, índice hídrico entre 20 e 60, sem deficiência hídrica. (Fonte: Projeto Florestas Municipais/PMJ).

Relevo

A variedade de formas existente na superfície da Terra recebe o nome de relevo. Podemos agrupar essas variedades de formas em quatro tipos principais: as montanhas, os planaltos, as planícies e as depressões.
No caso específico de Jaguariaíva, o relevo é formado por duas unidades de planaltos. O primeiro planalto ou planalto de Curitiba situa-se no sul, na região denominada Sertão de Cima, com altitudes que variam entre 800 a 1000m ao nível do mar, com relevo suave ondulado, constituído de solos intemperizados do embasamento cristalino, até encontrar a base da escarpa Devoniana.
O segundo planalto, pelos estudos recentes é constituído pelo arenito Furnas de formação marinha. Começa na formação Devoniana, atinge o norte do município com superfícies suaves onduladas, entre 800 a 1300m ao nível do mar, delimitadas por escarpas. Nos dois planaltos o processo de desgaste supera o processo de deposição de materiais.
O ponto culminante do relevo dos Campos de Jaguariaíva está próximo ao Capão das Gralhas, nos campos do Corisco, situado na Serra da Boa Esperança, na Escarpa Devoniana, com 1317m de altitude ao nível do mar.

Vegetação

A cobertura florestal nativa ocupa 9% da área do município, com a presença de floresta com araucária, bracatinga, cedro, angico e predomínio de vegetação de campo limpo, com a associação de arbustos e árvores, de 3 a 8 metros de altura, nas espécies da lobeira, araticum do cerrado, lixeira e peroba do campo. A cobertura de gramíneas estende-se sem delimitação especial desde os campos limpos para dentro dos campos cerrados e cerradão.

Fauna

A fauna silvestre e campestre nativa existente no município de Jaguariaíva, nunca foi estudada convenientemente, assim como não se conhece com profundidade a influência humana sobre a rica fauna existente. Mas sabe-se que muitas, antes abundantes, foram completamente extintas, e outras foram introduzidas. A principal causa dessa extinção das espécies foi certamente o desmatamento intenso verificado no período da colonização até o presente, influenciadas pela instalação de serrarias e monoculturas agrícolas, aplicação indiscriminada de defensivos agrotóxicos, e pela caça indiscriminada, praticada, sobretudo nos primeiros tempos da colonização e nas últimas três décadas pela substituição de em muitas áreas de florestas e de campos limpos e cerrados pelo reflorestamento de espécies exóticas.
Na época das derrubadas era muito comum a caça, praticada pelos pioneiros, justificada pela abundância da fauna e pelas necessidades próprias dos períodos difíceis da colonização. Hoje, a fauna nativa de Jaguariaíva, encontra-se em extinção, com o número de espécimes muito reduzidos e concentrados nas poucas reservas florestais existentes, e mesmo com a proibição legal da prática da caça, ela ainda persiste, a despeito da fiscalização existente.

Hidrografia

Bacia hidrográfica é o conjunto de terras banhadas por um rio principal e todos os seus afluentes e subafluentes.
Os rios geralmente nascem em regiões altas, quando um lençol subterrâneo aflora à superfície formando uma fonte. A fonte origina um filete para evoluir a riacho e transformar-se em córrego até merecer o nome de regato. O regato assume o comando de outros pequenos cursos de água e aumenta de volume para ser promovido a ribeirão. O ribeirão tomando corpo e estrutura, chega às regiões baixas, dando ares de rio e exibindo atitudes pausadas e solenes. O local onde o rio nasce chama-se nascente e onde deságua denomina-se foz. Os pequenos cursos de água que formam um rio são chamados de afluentes e os afluentes dos afluentes denominam-se subafluentes. Como exemplo citamos os riachos Diamante, Cilada, Cinco Réis como afluentes do Capivari. O Capivari é afluente do Jaguariaíva e os afluentes do Capivari são subafluentes do Jaguariaíva.
O sistema hidrográfico do município de Jaguariaíva está condicionado ao regime pluvial. Rico em pequenos cursos de água forma as bacias dos rios Jaguaricatú, Cinzas e Jaguariaíva. A bacia considerada de integração municipal é formada pelo rio Jaguariaíva que possuí suas nascentes na região SO nas proximidades da divisa com Piarai do Sul, no Sertão de Cima, no primeiro planalto paranaense.
Os rios Jaguaricatú e Cinzas também nascem no primeiro planalto nas proximidades de Joaquim Murtinho e a exemplo do Jaguariaíva correm no sentido Sul/Norte. O trabalho erosivo de milhões de anos executados pelos seus cursos formou cânions e vales na formação rochososa do Arenito Furnas que em alguns pontos do seu curso chega a 100m de altura formando cenários naturais deslumbrantes e um deles é o cânion do rio Jaguariaíva.
Os principais afluentes do rio Jaguariaíva:
pela margem esquerda: Os riachos Espigão Alto, da Barra, Butiá, Sabiá, Santo Antonio, Jerivá e Barra Mansa e o rio Capivari; pela margem direita: Os riachos dos Palhanos, da Conceição, Lanças, e os rios Lajeado Grande, das Mortes, Samambaia e Cajurú;
O município tem como delimitadores os rios Barra Mansa ao N, com o município de São José da Boa Vista; Escutador ao S, com o município de Dr. Ulisses; Jaguaricatú e Cajurú, respectivamente, a SE e E com o município de Sengés; Jaguariaíva à SO, com o município de Piraí do Sul; Cinzas, a O e NO, respectivamente, com os municípios de Pirai do Sul e Arapoti.
Pesquisa e Texto: Prof. José Axt